QUE CALOR!

Até ontem à tarde, a cidade de Porto Alegre esteve inundada por um calor atormentador, exceto para aqueles que desfrutaram de um ar-condicionado…

Como a literatura aborda diversos temas, encontrei no Primo Basílio, de Eça de Queirós, uma discrição adequada de minhas sensações e disposições com a temperatura elevada…

A sala esteirada, alegrava, com o seu teto de madeira pintado a branco, o seu papel claro de ramagens verdes. Era em julho, um domingo, fazia um grande calor; as duas janelas estavam cerradas, mas sentia-se fora o sol faiscar nas vidraças, escaldar a pedra da varanda; havia o silêncio recolhido e sonolento de manhã de missa; uma vaga quebreira amolentava, trazia desejos de sestas ou de sombras fofas debaixo de arvoredos, no campo, ao pé da água; nas duas gaiolas, entre as bambinelas de cretone azulado, os canárias dormiam; um zumbido monótono de moscas arrastava-se por cima da mesa, pousava no fundo das chávenas sobre o açúcar mal derretido, enchia toda a sala de um rumor dormente.

QUEIRÓS, Eça de. Primo Basílio. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br

 

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